Mostrando postagens com marcador aprendizagem. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador aprendizagem. Mostrar todas as postagens

IA na Educação Básica - Mais um Documento Referencial

E saiu fresquinho o documento orientador sobre caminhos curriculares e práticas éticas de uso de IA nas escolas! O novo documento do MEC traz uma mensagem muito clara para quem está na educação básica: não dá mais para pensar a Inteligência Artificial apenas como ferramenta. Ela precisa entrar na escola também como objeto de conhecimento. Aliás, isso lá não é muita novidade, não é mesmo? Mas é bom reforçar, por que nem todo mundo da Educação entende assim! Ou seja, não basta usar IA para planejar aula ou gerar atividade, é preciso ensinar os estudantes a compreender como ela funciona, quais são seus limites, seus riscos e seus impactos na sociedade. O documento propõe justamente esse equilíbrio entre “aprender com IA” e “aprender sobre IA”, articulando o uso pedagógico com uma formação crítica.
O ensino sobre IA refere-se à inteligência artificial como objeto de conhecimento [...] O ensino e aprendizagem com IA refere-se, por sua vez, ao uso da inteligência artificial como recurso educativo, implicando a decisão sobre se, quando e como usar estes recursos.
Vale apontar também que o documento ressalta o descompasso entre o que já acontece na prática e o que ainda falta estruturar na escola. É uma loucura, um vão enorme entre um e outro! Os dados mostram que estudantes e professores já usam IA no cotidiano, mas ainda com pouca mediação pedagógica e quase nenhuma orientação sistematizada. Isso reforça a urgência de trazer o tema para o currículo, de forma intencional, conectada à educação digital e midiática, e não como algo improvisado ou pontual.

Por fim, é muito bacana ver que o documento coloca o professor no centro desse processo novamente. Não como alguém que será substituído, mas como quem precisa decidir quando, como e por que usar a IA. Afinal, quem é a autoridade em Educação? Para isso, a formação docente aparece como peça-chave, junto com princípios éticos, proteção de dados e cuidado com o bem-estar dos estudantes. No fundo, o que o texto propõe é simples, mas profundo: usar a tecnologia sem perder o sentido pedagógico, formando sujeitos críticos, criativos e responsáveis em um mundo cada vez mais mediado por algoritmos.

Quer saber mais sobre o documento e lê-lo na íntegra? Clique aqui para acessar e divirta-se!

Ou acesse o resumo por aqui

Sequência Didática e Trilha de Aprendizagem são a mesma coisa?

Não é de agora que nas várias formações de professores que tenho ministrado, surja essa dúvida: Trilha de Aprendizagem e Sequência Didática são a mesma coisa? É sempre recorrente haver uma pequena confusão entre os dois conceitos, assim como cooperação e colaboração, objetivos e metodologia, entre outros (todos eles já abordados aqui no Blog do eprofessor)...vamos tentar desenrolar?

Vamos pensar assim...uma Sequência Didática (SD), na maioria das vezes, deve conter alguns passos para que os estudantes atinjam o objetivo esperado, certo? Como o próprio nome já diz, é uma forma de organizar, sequencialmente, as ações necessárias para a realização de uma ou mais atividades para atingir um objetivo de aprendizagem. Pode ocorrer em uma ou mais aulas. Para tanto, o professor já deverá ter organizado o conteúdo geral anual (dividido em aulas, bimestres, unidades, tópicos e subtópicos, por exemplo) e pensado qual o desenho de aprendizagem irá realizar para a SD ser aplicada com os alunos. Quando o professor elabora o PLANO DE AULA - objetivos, conteúdos, metodologia, recursos e avaliação, já está pensando previamente em uma SD, certo? Pode ser mais expositiva ou participativa, individual ou coletiva, vai depender da abordagem pedagógica que o professor quer utilizar, onde ele quer chegar e como.

 Aqui, sugiro alguns itens importantes para percorrer uma SD:





  1. tema (eixo temático) e delimitação do contexto (parte fundamental! nada longo! lembre-se que é possível dar continuidade em outras sequências para abarcar tudo o que é preciso!) Se o professor tem clareza disso, ficará mais fácil organizar as sequências didáticas ao longo do ano!
  2. esquenta/aquecimento para o tema = atividade rápida para introduzir o estudante no que vai ser trabalhado = pode ser uma atividade de retomada, de pré-requisitos, diagnóstica, vai depender do objetivo do professor;
  3. atividades participativas = que promovam o protagonismo do estudante ou do grupo durante o estudo do tema - o professor deve planejar atividades nas quais privilegie-se o fazer, o estudante deve produzir algo, não o professor! Mas lembre-se, o professor é o orientador/mediador da aprendizagem do grupo, para tanto, ele precisa estar de olho ao longo do desenvolvimento da(s) atividade(s). 
  4. fechamento/fixação = o que ficou? Uma síntese é sempre bem-vinda, pois é onde os estudantes demonstram o que e quanto aprenderam. O professor deve retomar aqui, os objetivos de aprendizagem que pensou para a elaboração da sequência didática.
Se quiser saber mais sobre o assunto, o educador e pesquisador Antoni Zabala fala sobre as SDs no seu livro A prática educativa: como ensinar.

Se quiser saber sobre COMO realizar essas etapas, sugiro o livro sob organização da Marta Scarpato, Os Procedimentos de Ensino Fazem a Aula Acontecer.

Por outro lado, a Trilha de Aprendizagem (TA) é uma abordagem pedagógica mais flexível e participativa, pois privilegia as escolhas do estudante entre vários caminhos a serem percorridos, a fim de atingir os objetivos de aprendizagem propostos. Essa modalidade é interessante, pois parte-se do princípio que ninguém aprende igual em uma sala de aula. Uma TA pode oferecer o acesso à diversos recursos diferentes com abordagens pedagógicas distintas como por exemplo uma aula online, um documentário, um curso/oficina, um artigo, um mapa mental, uma imagem interativa, um repositório de conteúdos, glossário ... nos quais os estudantes podem escolher, de acordo com seus interesses e perfis, onde vão começar e de que forma irão acessar/percorrer o que está sendo oferecido para atingir o objetivo de aprendizagem sobre determinado assunto que deve estar claro e conciso, compartilhado pelo professor. 

As TAs se diferenciam das SDs no que se refere ao que deve ser feito
  • as SD são mais orientadas e rígidas nas ações a serem desenvolvidas pelos alunos e as 
  • TAs permitem mais autonomia respeitando o ritmo individual de cada um.
Vale ressaltar que as TAs podem ser desenvolvidas de duas maneiras:
  • linearmente - o estudante deverá percorrer um conjunto de SD para atingir determinado objetivo, devendo passar por todas as fases planejadas em uma ordem pré-estabelecida, ou
  • agrupada - o estudante poderá percorrer a trilha na ordem que preferir, mas todas as etapas devem ser finalizadas.
As TAs podem, inclusive, serem planejadas para que haja recursos para quem quiser ir além, deixando algumas etapas obrigatórias e outras não, se for o caso.

Na Educação Corporativa, as TAs são muito utilizadas, pois as empresas oferecem um conjunto de recursos como workshops, cursos, exposições e oficinas para que o profissional atinja seu objetivo na aquisição de uma ou mais habilidades e/ou competências, ou ainda, planeje sua progressão de carreira. 
Na Educação escolar formal ela pode (e deve!) ser utilizada também, o que enriquece significativamente a aprendizagem dos alunos pois há uma certa variedade de recursos didáticos oferecidos aos estudantes.

No livro Metodologias Ativas Para uma Educação Inovadora, de Lilian Bacich e José Moran, disponível digitalmente neste link você irá encontrar mais fundamentação teórica sobre o assunto e verá como as TAs podem ser importantes no Ensino Personalizado. Também no livro de Jonathan Bergmann e Aaron Sams intitulado Sala de Aula Invertida! você vão ver a importância das TAs no Ensino Híbrido e no Ensino Personalizado.

Há muito material na web para professores, muitas Trilhas e Sequências Didáticas, como no Educamídia, no TáPronto? e no Porvir. Bora botar esses alunos para produzir conhecimento de uma forma engajadora?

Crowdsourcing? Crowdlearning?

http://blog.nos.vc/
Pensei em como poderia começar a falar sobre esse post que diz respeito a crowdlearning. Mas para falar sobre isso, é preciso explicar o que é crowdsourcing, termo que originou o outro termo.... 
Comecemos pela Wikipedia, maior manifestação de crowdsourcing de sucesso.... 
O crowdsourcing é um modelo de produção que utiliza a inteligência e os conhecimentos coletivos e voluntários espalhados pela internet para resolver problemas, criar conteúdo e soluções ou desenvolver novas tecnologias. 
O crowdsourcing possui mão-de-obra barata, pessoas no dia-a-dia usam seus momentos ociosos para criar a colaboração. 

É uma nova e crescente ferramenta para a inovação. Utilizado adequadamente, pode gerar ideias novas, reduzir o tempo de investigação e de desenvolvimento dos projetos, diminuir nos custos, para além de criar uma relação direta e até uma ligação sentimental com os clientes.Dois bons exemplos de produtos obtidos através do sistema são os sistema operacional Linux e o navegador Firefox, que foram criados por um exército de voluntários ao redor do mundo. (Wikipedia)
O site Ceschini (consultoria Digital - de onde retirei a imagem) define como:
Crowdsourcing ao pé da letra vem da união de duas palavras do inglês, crowd, que significa multidão e source, que significa fonte, origem, manancial, raiz e na sua melhor tradução para o termo, fonte de informações. É isso! Crowdsourcing é uma fonte de informações oriundas de uma multidão, ou quase isso.(...) Crowdsourcing são então pessoas que se unem para resolver problemas em conjunto, criar novos produtos, testarem sites, criarem conteúdo, encontrarem soluções e muito mais. E é uma tarefa feita por nós há muito tempo, não é uma novidade da internet, as cooperativassão exemplos de crowdsourcing, determinados movimentos também. (Ceschini - consultoria em Comunicação e Marketing Digital)
Ok...ok....já entendemos, né? Mas tudo isso para explicar que este post refere-se ao conceito de crowdsourcing  aplicado à Educação e Aprendizagem!!! É isso aí... e a Nós.vc - que se autodefine como uma plataforma de crowdlearning , explica:
Crowd é multidão. Learning é aprendizagem. E crowdlearning é um modelo em que pessoas apaixonadas pelos mesmos assuntos aprendem e ensinam lado a lado.
A ideia é maravilhosa, inovadora e disruptiva (palavra da moda!) , pois inverte a lógica tradicional do conceito de ensino-aprendizagem, propiciando uma sala de aula expandida!  Melhor vocês mesmos verem e opinarem.... Se preferirem , acessem diretamente o site: Nós.vc- Encontros Inspiradores

Learning Playlists?? Mentormob!

http://www.mentormob.com/
Como já comentamos aqui em diversos posts, o uso de ferramentas web 2.0 (voltadas ao uso pedagógico), ao meu ver, colabora no desenvolvimento da autonomia do aluno e também na construção - individual e coletiva do conhecimento. Pegando carona no vídeo da profa Santaella (aí embaixo, no post anterior), percebo que nossos alunos estão cada vez mais imersos no conceito de "aprendizagem ubíqua", muitas vezes proporcionado por essas tais ferramentas... mesmo que eles não saibam, ou ainda, as utilizem de forma consciente. 
Porém, tais ferramentas, pelo menos as que tem no seu escopo de desenvolvimento, cunho pedagógico, fogem do círculo de conhecimento dos alunos, já que sua divulgação, na maioria das vezes, acontece em "outros espaços", que não os mais frequentados pelos nossos pupilos, distanciando-se deles. Assim, cabe ao professor, descobrir e apresentar essas ferramentas a eles, sem perder de vista o planejamento das atividades e objetivos na sua utilização. 
Neste contexto, indico uma ferramenta muito interessante que me encantou ao vislumbrar possibilidades de uso na sala de aula, a MentorMob

MentorMob é uma "curadora de conteúdos web"... será que posso chamá-la desta forma? Ela permite compartilhar qualquer conteúdo online, mas o que é mais importante é que esse conteúdo compartilhado é um conteúdo relevante, livre dos "a mais" que temos que filtrar.

Assista ao vídeo para saber mais sobre a plataforma....e consulte o site clicando aqui!


 

Aprendizagem Colaborativa ou Cooperativa?


O termo “aprendizagem cooperativa” não é contemporâneo à internet. Apesar da rede de computadores ter contribuído significativamente para a disseminação de ambientes on-line - potencializadores da comunicação e cooperação entre as pessoas, gerando inúmeras comunidades virtuais de aprendizagem, o termo não é novidade.
Historicamente, teóricos como Piaget, Vygosky, Paulo Freire, entre outros, já definiram, defenderam e demonstraram que a cooperação é um importante dinamizador da aprendizagem. Piaget define cooperação como operar em comum, ou seja, co-operar. Para Vygotsky, o trabalho coletivo propicia a ZDP – zona de desenvolvimento proximal – caracterizada pela distância entre o nível de desenvolvimento real (conhecimento já consolidado pelo indivíduo – autonomia) e o nível de desenvolvimento potencial (conhecimento que irá ser construído com a ajuda do outro – em cooperação). Para Paulo Freire, a educação dialógica, traz na sua essência, a idéia de cooperaçãoe igualdade na medida em que o significado da palavra diálogo pressupõe comunicação de duas ou mais vias (comunicação “com” e não “para”).
Alguns autores tratam cooperação e colaboração como sinônimos, outros, porém, fazem distinção. Particularmente, acredito na complementaridade dessas definições: a colaboração entre sujeitos acontece na interação entre eles, porém pode partir de ambas as partes envolvidas ou unilateralmente. Na cooperação é fundamental que haja interação, colaboração, mas, além disso, é preciso compartilhar objetivos e realizar ações em comum. Assim, não existe cooperação sem colaboração, mas pode existir colaboração sem cooperação.
Ainda tenho dúvidas em relação à essa divisão entre os termos. Neste caso, poderia ser uma diferença, quando analisamos ambientes virtuais, e percebemos que a colaboração é encontrada em listas de discussão, comunidades abertas e outros ambientes coletivos que participamos na Web. A cooperação é mais restrita a grupos de estudos e desenvolvimento de projetos, onde se pretende a construção de um determinado conhecimento – inteligência coletiva. Será que é isso?
Nestas circunstâncias, é possível afirmar que os ambientes organizacionais, povoados por equipes de trabalho com interesses em comum, constituem-se, por excelência, em ambientes de aprendizagem cooperativa. Mas simplesmente o fato de “pessoas trabalharem juntas”, não resulta por si mesmo em esforços cooperativos, pelo contrário, pode desencadear esforços individualistas e acirrar a competição entre os integrantes das equipes.
Não nos restam dúvidas de que a aprendizagem cooperativa é eficaz e só traz benefícios, porém não tem sido fácil implementá-la. Uma das razões para tal é porque não sabemos como trabalhar cooperativamente. O modelo educacional atual, apesar de ter avançado em muitos aspectos, ainda privilegia as potencialidades individuais dos alunos, enfatiza classificações e promove procedimentos de avaliação por recompensa (notas), que traz conseqüências desastrosas na vida pós-academia. Então, ao nos depararmos com situações que efetivamente temos que demonstrar nossa competência cooperativa, nos reportamos aos referenciais educacionais internalizados – privilegiamos nossas opiniões individuais e nos fechamos à escuta do grupo.
Cinco componentes essenciais caracterizam o cenário para que ocorra aaprendizagem cooperativa:
  • Interdependência positiva - cada elemento do grupo percebe que só terá sucesso, caso todos tenham (mais...);
  • Responsabilidade do indivíduo (responsabilização individual de tal modo que o desempenho de cada integrante seja avaliado);
  • Interação promotora (promover face-a-face, o sucesso dos outros – animando, apoiando, instigando questões...);
  • Desenvolvimento de habilidades sociais (garantir participação igual, abrir-se para esclarecimentos, evitar as distrações, negociar, buscar entender, animar os outros, olhar para quem fala, integrar as idéias, ser responsável, seguir as instruções, fazer perguntas, permanecer junto ao grupo, contribuir com idéias, expressar apoio e aceitação de idéias, ampliar respostas dos outros, discordar sem criticar, resumir...);
  • Processamento através do grupo (fazer com que os componentes do grupo percebam como o grupo interage e trabalha).
Nem todasas tentativas de aprender cooperativamente serão bem-sucedidas, já que, sob certas circunstâncias, pode levar à perda do processo, falta de iniciativa, mal-entendidos, conflitos, e descrédito: os benefícios potenciais não são sempre alcançados.
Por isso, o sucesso da aprendizagem cooperativa não depende unicamente da utilização de tecnologias da informação e comunicação ou de implementação de ambientes virtuais, mas acima de tudo, de uma mudança de postura quanto à forma dese relacionar e interagir com os outros.


. Haidt, Regina C. Curso de Didática Geral, ed Moderna, São Paulo, 1999.
. Campos, F; Santoro, F; Borges, M; Santos, N. Cooperação e aprendizagem on-line, ed DP&A, Rio de Janeiro, 2003.
. Johnson, D; Johnson, R; Smith, K. A aprendizagem cooperativa retorna às faculdades in Change, Jul/Ago98, vol 30, issue 4, p26.
. Zabalza, Miguel. A aprendizagem como um processo colaborativo. Fórum SM de Educação/Universidade de Santiago de Compostela.