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Inteligência Artificial na Educação: o novo referencial do MEC e o papel dos professores nesse cenário

Vou começar com uma pergunta: você, professora ou professor, já parou para pensar em como utilizar a IA de forma responsável na educação?

Foi muito rápido o uso da IA por parte de professores e alunos para gerar textos, organizar ideias, produzir imagens, apoiar atividades e tantas outras coisas. Mas... ainda existe aquela situação em que os estudantes usam e não falam, os educadores usam e também não falam...
Para tentar responder a essa questão inicial, o Ministério da Educação apresentou o Referencial para o Uso e Desenvolvimento Responsáveis de Inteligência Artificial na Educação. Elaborado pela Secretaria de Gestão da Informação, Inovação e Avaliação de Políticas Educacionais (SEGAPE), o documento reúne princípios, diretrizes e recomendações para orientar escolas, redes de ensino, gestores e educadores no uso ético e consciente dessas tecnologias.

Mais do que um documento técnico, o referencial propõe várias reflexões importantes que vou tentar trazer aqui para pensarmos juntos.

Vou começar pela ideia de que é fundamental que a IA esteja alinhada aos valores que sustentam a educação como direito e como bem público. Isso significa que sua presença nas escolas não pode ser guiada apenas pela lógica da inovação tecnológica, mas também por princípios pedagógicos, sociais e éticos. É difícil, né? Porque ainda estamos engatinhando no letramento em IA, inclusive entre professores, gestores e diretores... (Lembra do meu texto anterior? Depois dá uma chegadinha lá!)
Outro ponto é a redução das desigualdades. A IA deve contribuir para ampliar a inclusão e reduzir desigualdades, e não para aprofundá-las. E a gente já tem percebido que o uso da IA acontece de forma diferente nas escolas públicas e privadas. Por isso, pensar o uso da IA na educação exige cuidado para que novas ferramentas não criem ainda mais distâncias entre estudantes e escolas com realidades distintas.
E isso dá gancho para outro ponto fundamental: a responsabilidade continua sendo das pessoas. A inteligência artificial pode apoiar decisões, organizar informações e ampliar possibilidades pedagógicas, mas não substitui o olhar humano, sua experiência e sua sensibilidade.
A necessidade de transparência no uso da IA também é outro ponto importante. As escolas e redes de ensino precisam compreender como funcionam as ferramentas adotadas, quais dados são utilizados e quais limites tudo isso possui. Como a gente já sabe, a IA reflete dados, modelos e escolhas feitas por pessoas. Por isso, compreender seus mecanismos faz parte do uso responsável.
E a transparência nos leva a outro tema: a proteção de dados e da privacidade. O uso de plataformas digitais envolve, frequentemente, a coleta de informações de estudantes e professores. Nesse contexto, torna-se fundamental respeitar a legislação vigente, especialmente a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), garantindo que essas informações sejam tratadas com cuidado, segurança e transparência.

E o professor? O documento não fala nada? Fala, sim, senhor! O referencial valoriza muito o papel do professor. Em nenhum momento a IA é apresentada como substituta dos educadores. Pelo contrário: reforça a importância da formação inicial e continuada para que os professores possam compreender essas tecnologias, explorar suas potencialidades e também reconhecer seus limites.

É importante lembrar que a integração da IA na educação não é apenas uma questão tecnológica. Trata-se, sobretudo, de um processo pedagógico e cultural. Para redes e instituições de ensino, o documento funciona como um guia para pensar políticas institucionais que envolvam desde infraestrutura e formação até princípios éticos e estratégias de inovação. E esse já é um ótimo ponto de partida! Além disso, o referencial convida diferentes setores da sociedade, como universidades, organizações sociais, pesquisadores e movimentos educacionais, a participarem dessa construção coletiva. Afinal, discutir IA na educação é pensar sobre o futuro da formação humana em uma sociedade cada vez mais digital.
Para nós, professores, o documento serve como um apoio em meio a esse turbilhão de coisas que acontecem quando o assunto é IA. Ele reforça que o uso da IA na educação precisa caminhar junto com reflexão crítica, responsabilidade social e compromisso com a aprendizagem. Eu sei, eu sei... a gente sempre pensa nisso. Mas não custa dar uma forcinha para essa ideia.
A tecnologia abre possibilidades interessantes. Pode apoiar a criação de materiais didáticos, ampliar repertórios, ajudar na organização do trabalho docente e até favorecer percursos mais personalizados de aprendizagem. Mas nenhuma ferramenta substitui aquilo que continua sendo o coração da educação: o encontro entre pessoas, o diálogo, a mediação e o pensamento crítico.
Para mim, fica a ideia de que o documento vai além do aspecto normativo e convida todos da área educacional  à uma excelente reflexão.

Clique aqui e acesse o documento na íntegra.

Esse texto foi revisado e corrigido gramaticalmente pelo GEMINI.

Evangelização e Letramento em tempos de IA


Em um artigo publicado no jornal Valor, no dia 03/06/2026, a pesquisadora e professora da PUC-SP, Dora Kaufman, propõe uma distinção importante para compreender os desafios da Inteligência Artificial nas organizações: a diferença entre letramento e evangelização.

Inspirada pelo texto da professora, que aborda essencialmente o universo corporativo, fiz o exercício de uma transposição didática para as instituições de ensino e o universo escolar, no qual estou profundamente inserida.

No seu texto, ela menciona o termo "estreitamento cognitivo", da psicóloga Susan David, da Harvard Medical School, citado em um artigo publicado também no Valor em 21 de Maio de 2026, definido como a tendência humana de simplificar cenários complexos e ambíguos em busca de respostas rápidas e certezas confortáveis. A partir desse ponto, o alerta vermelho já se acendeu para mim, pois, em um momento em que a IA ocupa cada vez mais espaço nos debates educacionais, esse é um desafio importante e que merece atenção.

Como tenho comentado aqui (aliás, desde os primórdios deste blog e de todas as "novas tecnologias" surgidas nesse período), quando ocorre a chegada de tecnologias emergentes às escolas, há sempre um frisson geral: reações, emoções e até uma certa comoção que oscila entre o entusiasmo exagerado e a rejeição imediata. Infelizmente, nas duas situações, perdemos a oportunidade de discutir um tema de fundamental importância na atualidade e que já tem trazido impactos significativos ao cotidiano de estudantes e professores.

A decisão de permitir ou não o uso da IA dentro da escola já ficou para trás! Tanto nas escolas públicas quanto nas privadas, os alunos já fazem uso da IA em suas próprias redes, pelo celular, o que se torna difícil de monitorar. Portanto, ainda que haja resistência por parte de professores, coordenadores e diretores, ela já faz parte da vida dos estudantes. Penso que agora o momento é de refletir sobre COMO incorporá-la de maneira ética, crítica e pedagogicamente significativa. E não podemos demorar muito não!

Outro dado destacado pela professora Dora Kaufman diz respeito à pesquisa da Prosci: 63% dos desafios relacionados à implementação da Inteligência Artificial têm origem em fatores humanos, e não em limitações tecnológicas. Em outro estudo realizado pelo Google Cloud, também apontado por ela, mostra-se que 64% dos executivos reconhecem a urgência de adotar ferramentas de IA generativa, mas mais da metade admite que suas organizações não possuem as competências necessárias para fazê-lo adequadamente. Aqui, ressalto: qualquer semelhança com o universo escolar não é mera coincidência, pois o cenário é praticamente o mesmo (o link das pesquisas encontra-se no artigo original).

Muitas instituições já disponibilizam ferramentas baseadas em IA para seus profissionais e estudantes, o que não garante absolutamente nada. Aliás, penso que isso pode até piorar a adoção adequada da IA. Ferramentas, plataformas e aplicativos não faltam em várias escolas. O que faz falta, de verdade, é dar condições para que os atores pedagógicos compreendam o fenômeno em profundidade e desenvolvam segurança para atuar nesse novo contexto.

E é aí que a professora Dora entra com os termos: letramento e evangelização.

O letramento em IA diz respeito à formação de toda a comunidade escolar. Envolve compreender o funcionamento básico dessa tecnologia, reconhecer seus limites, identificar vieses, analisar impactos éticos e aprender a utilizá-la de forma responsável. Algo como desenvolver repertório crítico.

E aqui faço um parêntese por minha conta sobre a diferença entre alfabetização e letramento. Um exemplo didático que gosto de mencionar para diferenciar os dois termos é baseado na escrita (perdoem-me se houver algum equívoco; aceito sugestões e comentários de quem é da área): alfabetização é aprender a ler e escrever. O foco está na compreensão da combinação e composição entre sílabas e letras. Já o letramento é o uso que se faz da leitura e da escrita, estando mais relacionado à sua função social.

Para os professores, isso significa ir além do uso instrumental e técnico das ferramentas. Significa compreender quando a IA pode apoiar processos de aprendizagem, quando pode comprometer o desenvolvimento de determinadas habilidades e quais competências humanas precisam ser fortalecidas justamente porque as máquinas passaram a executar determinadas tarefas com eficiência. E eu vejo que ainda estamos bem longe de um cenário em que haja essa compreensão geral por parte dos docentes.

Para os estudantes, o letramento é muito mais saber perguntar do que obter respostas. Envolve questionar respostas prontas, verificar informações, identificar vieses e alucinações, reconhecer manipulações e compreender que nem toda resposta produzida por uma IA é necessariamente correta ou adequada.

Mas Dora Kaufman chama a atenção para uma segunda camada igualmente importante: a evangelização das lideranças. Ao ler o texto, estranhei o termo. Fiquei em dúvida sobre seu significado, mas entendi quando ela esclareceu:
O termo 'evangelização' deriva do grego euangelon ('boas novas') e euangelizomai ('eu trago uma mensagem'), significando originalmente uma recompensa por trazer boas novas. No universo cristão, representa a defesa de uma causa com o objetivo de converter pessoas; e, em um sentido mais amplo, é o compartilhamento intencional e persuasivo de uma causa ou crença com o objetivo de apresentar um novo método de vida à luz de uma nova tecnologia, com a convicção de seus benefícios. Organizações usam o termo para descrever a comunicação de uma mensagem transformadora, e a indústria de tecnologia considera 'evangelista' alguém que defende algo apaixonadamente, incentivando outros a adotarem a mesma perspectiva.
No contexto escolar, essa evangelização não deve ser entendida como convencimento ou adesão incondicional à tecnologia. Entendo que, aqui, a ideia passa pela compreensão estratégica por parte das equipes gestoras. Diretores, coordenadores e mantenedores precisam entender que a IA não é apenas uma nova ferramenta tecnológica, mas que ela traz mudanças nas formas de ensinar, aprender, avaliar, produzir conhecimento e organizar o trabalho pedagógico.

Quando os gestores compreendem esse impacto, as decisões deixam de ser pautadas apenas pela aquisição de tecnologias e passam a considerar aspectos como formação continuada, governança, ética, privacidade de dados, cultura institucional e desenvolvimento humano. E aqui me permito fazer outro parêntese: nós já passamos por isso anteriormente, não é mesmo? Quem lembra?

Essa reflexão é particularmente importante porque a escola possui uma responsabilidade que vai além da aquisição de competência operacional. Enquanto empresas buscam resultados de negócio, instituições educacionais formam pessoas. Por isso, qualquer debate sobre IA na educação precisa preservar uma pergunta fundamental: quais capacidades humanas queremos desenvolver em nossos estudantes?

Curiosamente, a própria expansão da IA reforça a importância de competências tradicionalmente associadas ao trabalho educativo. Empatia, criatividade, pensamento crítico, argumentação, colaboração, discernimento ético e capacidade de lidar com a incerteza tornam-se ainda mais valiosas em um cenário no qual as máquinas conseguem produzir textos, imagens, códigos e análises em poucos segundos.

A leitura do artigo de Dora Kaufman nos convida, portanto, a deslocar o foco da tecnologia para as pessoas. Antes de discutir plataformas, licenças ou ferramentas, talvez seja necessário perguntar: nossa comunidade escolar está preparada para compreender criticamente essa transformação? Nossas lideranças conseguem enxergar seus impactos para além do curto prazo? Estamos formando usuários de IA ou cidadãos capazes de conviver de forma consciente com ela? 

A resposta a essas questões provavelmente definirá não apenas a qualidade da adoção tecnológica nas escolas, mas também a capacidade da educação de cumprir sua missão em uma sociedade cada vez mais atravessada pela IA. Lideranças devem ser evangelizadas, professores e estudantes, adquirir letramento! É isso?

Nesse sentido, o maior desafio não é tecnológico. Como afirma Dora Kaufman, trata-se de um desafio essencialmente humano. E é justamente por isso que a educação tem um papel tão estratégico neste momento histórico.

Obrigada, professora Dora Kaufman! Seu artigo gerou boas reflexões por aqui!


Esse texto foi revisado e corrigido gramaticalmente pelo GEMINI.

IA na Educação Básica - Mais um Documento Referencial

E saiu fresquinho o documento orientador sobre caminhos curriculares e práticas éticas de uso de IA nas escolas! O novo documento do MEC traz uma mensagem muito clara para quem está na educação básica: não dá mais para pensar a Inteligência Artificial apenas como ferramenta. Ela precisa entrar na escola também como objeto de conhecimento. Aliás, isso lá não é muita novidade, não é mesmo? Mas é bom reforçar, por que nem todo mundo da Educação entende assim! Ou seja, não basta usar IA para planejar aula ou gerar atividade, é preciso ensinar os estudantes a compreender como ela funciona, quais são seus limites, seus riscos e seus impactos na sociedade. O documento propõe justamente esse equilíbrio entre “aprender com IA” e “aprender sobre IA”, articulando o uso pedagógico com uma formação crítica.
O ensino sobre IA refere-se à inteligência artificial como objeto de conhecimento [...] O ensino e aprendizagem com IA refere-se, por sua vez, ao uso da inteligência artificial como recurso educativo, implicando a decisão sobre se, quando e como usar estes recursos.
Vale apontar também que o documento ressalta o descompasso entre o que já acontece na prática e o que ainda falta estruturar na escola. É uma loucura, um vão enorme entre um e outro! Os dados mostram que estudantes e professores já usam IA no cotidiano, mas ainda com pouca mediação pedagógica e quase nenhuma orientação sistematizada. Isso reforça a urgência de trazer o tema para o currículo, de forma intencional, conectada à educação digital e midiática, e não como algo improvisado ou pontual.

Por fim, é muito bacana ver que o documento coloca o professor no centro desse processo novamente. Não como alguém que será substituído, mas como quem precisa decidir quando, como e por que usar a IA. Afinal, quem é a autoridade em Educação? Para isso, a formação docente aparece como peça-chave, junto com princípios éticos, proteção de dados e cuidado com o bem-estar dos estudantes. No fundo, o que o texto propõe é simples, mas profundo: usar a tecnologia sem perder o sentido pedagógico, formando sujeitos críticos, criativos e responsáveis em um mundo cada vez mais mediado por algoritmos.

Quer saber mais sobre o documento e lê-lo na íntegra? Clique aqui para acessar e divirta-se!

Ou acesse o resumo por aqui

A IA e o Futuro da Educação: crise ou oportunidade?

Como temos conversado aqui, a IA deixou de ser uma promessa distante há muito tempo. Ela se instalou no cotidiano da escola, muitas vezes sem pedir licença. Os estudantes a utilizam indiscriminadamente. Aparece no tutor que responde dúvidas no Wpp, no avatar que simula um professor universitário, nos textos incríveis elaborados em segundos na tela. A IA está mudando a forma como aprendemos, ensinamos e até como entendemos o que significa “saber”.

A UNESCO, no documento AI and the future of education Disruptions, dilemmas and directions (IA e o futuro da educação: perturbações, dilemas e direções), indica que estamos diante de uma virada histórica. Será? A sensação é a de estarmos pisando em terreno novo, fértil e perigoso, que nos desafia a uma reflexão profunda, coletiva e honesta. E não dá para adiar. A educação está no centro desse debate, como em tantas tecnologias que surgiram por aí...

Depois de ler o documento, achei interessante compartilhar alguns pontos que mais me chamaram atenção e que nos ajudam a enxergar o tamanho do desafio e também da oportunidade que temos pela frente.
 
1. a IA aumenta a desigualdade?

A IA chega prometendo personalização, acessibilidade e novas formas de aprender. Mas chega de forma desigual. Um terço da população mundial segue fora da internet, enquanto modelos avançados de IA continuam restritos a quem pode pagar, em dados, infraestrutura, assinaturas ou simplesmente por falar línguas hegemônicas. A própria lógica dos algoritmos, muitas vezes treinados com dados ocidentais e homogêneos, carrega riscos de reforçar desigualdades de gênero, raça, território e cultura. Vale lembrar também do custo ambiental. A IA generativa consome água e energia (como outras tecnologias já existentes), um preço que recai sobre regiões já fragilizadas, o que pode aumentar a desigualdade.
 
2. O professor é insubstituível?

Por mais incrível que um modelo generativo seja, ele não sente vergonha, alegria, frustração ou empatia. Não compreende silêncio, gesto, ambiguidade  e esses são elementos que sustentam a vida pedagógica, é o que traz subjetividade no percurso educativo. E isso, só o ser humano tem. A educação é uma prática profundamente humana, relacional e ética.  Não se trata de encaixar o professor na lógica da IA, mas de colocar a IA a serviço do professor e do estudante. Penso que o atual momento dá outro valor ao professor, ao invés de substituí-lo!  Ele amplia seu papel para além da sala de aula e da sua práxis pedagógica convencional,  se torna designer de experiências, curador crítico, mentor, leitor atento das nuances que máquina nenhuma é capaz de captar.
 
3. A crise da avaliação

A IA mostrou, com todas as letras, que nossas formas convencionais de avaliar estão por um fio. Ela escreve redações complexas, passa em exames de pós-graduação e produz respostas perfeitas, mas sem vida, sem autoria e sem contexto. Se insistirmos no modelo antigo, a crise só vai piorar. Mas se encararmos esse colapso como chance de mudança, abrimos espaço para uma mudança pedagógica: avaliações mais contínuas, formativas, fundamentadas no julgamento humano, no raciocínio ético, na capacidade de argumentar e se relacionar. O texto menciona o conceito de “aprendizagem ciber-social”, em que humanos e máquinas colaboram, mas a interpretação e o sentido continuam sendo responsabilidades humanas. E, para navegar tudo isso, o letramento em IA precisa se tornar tão fundamental quanto ler, escrever e calcular, compreender como os algoritmos funcionam, questionar seus vieses e usá-los de forma ética e criativa. Alô, alô, Educação Midiática!!!

4. Dá para ignorar os dilemas éticos?

As possibilidades são incríveis, mas as tensões não são nada fáceis. A " super" personalização pode ser sedutora, mas corre o risco de isolar estudantes, limitar horizontes e reforçar desigualdades. A aprendizagem, afinal, é social. Crescemos na troca, na dúvida, no conflito produtivo. Por isso, a UNESCO defende uma ética do cuidado “por design”: sistemas pensados desde o início para proteger vulnerabilidades, promover interdependência e garantir transparência. Essa ética exige participação real de professores e alunos na construção das ferramentas, auditorias que verifiquem confiança e bem-estar e mecanismos que explicitem de onde vêm os dados, as escolhas e as visões de mundo que formam cada modelo. Para onde vamos?
A IA é apresentada como gatilho para uma reorientação civilizatória. UAU! Se isso soa grandioso, é porque realmente é. Não podemos apenas automatizar velhos hábitos. Temos a chance de construir algo mais justo, mais curioso e mais humano. Garantir que a IA contribua para uma educação vista como bem público depende de coragem política, ética cotidiana e participação ativa de toda a comunidade educativa. A tecnologia não escreve o futuro sozinha; somos nós que escrevemos.

Não podemos apenas automatizar velhos hábitos. Temos a chance de construir algo mais justo, mais curioso e mais humano.

E talvez essa seja a boa notícia no meio de tantas incertezas.
Para quem quiser aprofundar o tema e explorar caminhos possíveis para reestruturações pedagógicas mais robustas, o documento completo da UNESCO está disponível online (em inglês por enquanto, mas nada que um tradutor não resolva!). Clique no link abaixo!

Pesquisa TIC Educação: jovens, escolas e hábitos digitais

A mais recente edição da TIC Educação, pesquisa realizada pelo Cetic.br | NIC.br, traz um retrato atualizado sobre como crianças e adolescentes brasileiros estão se relacionando com a tecnologia no contexto escolar.

Um dos destaques é o uso crescente da inteligência artificial generativa. Entre os estudantes do Ensino Médio que acessam a internet, sete em cada dez já utilizam ferramentas como ChatGPT, Copilot e Gemini para pesquisas escolares. Apesar disso, apenas um terço afirma ter recebido orientação na escola sobre como explorar esses recursos de forma crítica e ética.

O levantamento mostra também que as plataformas de vídeo ganharam espaço como fonte de informação. Hoje, elas estão praticamente lado a lado dos buscadores tradicionais: 74% dos alunos ainda usam sites de pesquisa, mas 72% já recorrem a canais e aplicativos de vídeo para aprender e realizar trabalhos, incluindo TikTok.

Outro ponto importante é a conectividade: 96% das escolas brasileiras já contam com internet, e em 88% delas o acesso está disponível em sala de aula. Ainda assim, persistem desigualdades, sobretudo entre redes municipais e estaduais, escolas urbanas e rurais. 

Parêntesis: Eu mesma trabalho em uma escola periférica no município de São Paulo e vejo o quanto essa desigualdade de conexão e estrutura ainda persiste!

No que se refere ao uso de dispositivos móveis, a pesquisa revela um movimento de restrição ao celular nas escolas. Em 2022, 55% dos alunos utilizavam o próprio aparelho para acessar a internet; em 2024, esse número caiu para 45%. A proporção de instituições que proibiram o uso dos celulares também cresceu, passando de 28% para 39%.

A pesquisa traz ainda dados sobre a formação docente: pouco mais da metade dos professores participou de cursos de atualização envolvendo tecnologias digitais. Ótimo: ponto positivo! Contudo, formações específicas sobre uso de IA, segurança digital e educação midiática ainda aparecem em menor proporção. Ponto a ser refletido!!

Os resultados apontam para um cenário em que a tecnologia está cada vez mais presente, mas a mediação pedagógica e a formação crítica dos estudantes ainda são desafios centrais.

 Mais do que discutir apenas o acesso, a pesquisa reforça a urgência de promover um uso consciente, criativo e seguro das ferramentas digitais, garantindo que a tecnologia seja, de fato, uma aliada no processo de ensino e aprendizagem. 

Ou seja: é preciso pensar mais na aprendizagem do que nas ferramentas e, convenhamos, isso não é de hoje!

 Acesse aqui uma síntese dos resultados apresentados à imprensa.


A Pesquisa TIC Educação 2024 é um convite para que nós, professores, possamos olhar com mais clareza para o mundo digital que já faz parte da vida de nossos alunos.  

Ao mostrar dados sobre o uso de IA generativa, plataformas de vídeo, celulares e conectividade, a pesquisa nos ajuda a entender não só o que nossos estudantes estão fazendo online, mas também nos aponta quais caminhos podemos trilhar para tornar o aprendizado mais significativo.

Essas informações nos convidam a refletir sobre a própria prática, criar atividades mais próximas da realidade dos jovens, orientar o uso crítico e responsável das tecnologias e, ao mesmo tempo, estar atentos às desigualdades de acesso que ainda existem.

Rubricas para um Uso Eficaz da IA em Sala de Aula

Sempre acreditei que a tecnologia pode ser uma aliada poderosa no processo de ensino-aprendizagem, desde que utilizada de forma estratégica e consciente. No entanto, a implementação da tecnologia em sala de aula exige (e sempre exigiu|!) um olhar atento para a avaliação, garantindo que a tecnologia seja usada para potencializar o aprendizado e não para substituí-lo. É nesse contexto que as rubricas se tornam ferramentas indispensáveis, oferecendo critérios claros para avaliar o uso da tecnologia pelos alunos. O uso das rubricas, concretiza os objetivos do professor e alinha com as expectativas dos alunos sobre como eles devem proceder nas avaliações! E vamos combinar que isso é tuuuudooooooo no processo de ensino-aprendizagem? 

Neste sentido, Leon Furze mais uma vez colabora com a reflexão sobre o uso da IA pelos alunos, principalmente na escrita com a "Escala de Avaliação da Tecnologia (AIAS)", desenvolvida em conjunto com Perkins, Roe & MacVaugh. A tablea oferece um panorama interessante sobre o uso da tecnologia em atividades avaliativas. 

Para visualizar a imagem em tamanho maior, clique aqui!

A escala apresenta cinco níveis distintos, que vão desde a ausência total da tecnologia até a exploração criativa da tecnologia. Abaixo, uma versão mais "mastigadinha" do conteúdo:
  • Nível 1: Sem Tecnologia: Avaliação realizada sem o uso de tecnologia, focando nas habilidades e conhecimentos do aluno.
  • Nível 2: Planejamento com Tecnologia: A tecnologia é utilizada para atividades de planejamento, como brainstorming e pesquisa inicial, mas a avaliação enfatiza a capacidade do aluno de desenvolver e refinar as ideias de forma independente.
  • Nível 3: Colaboração com Tecnologia: A tecnologia auxilia na realização da tarefa, incluindo geração de ideias e redação, mas o aluno deve avaliar criticamente e modificar as sugestões da tecnologia.
  • Nível 4: Uso Completo de Tecnologia: A tecnologia é utilizada em todos os aspectos da tarefa, com o aluno direcionando a tecnologia para alcançar os objetivos da avaliação.
  • Nível 5: Exploração com Tecnologia: A tecnologia é utilizada de forma criativa para solucionar problemas e gerar insights inovadores, com alunos e educadores co-criando as avaliações.
As rubricas da AIAS podem ser adaptadas e utilizadas em sala de aula para guiar o uso da tecnologia em diferentes atividades, como por exemplo:
  1. Em um projeto de pesquisa, a rubrica pode exigir que os alunos utilizem a tecnologia para coletar e analisar dados, mas que apresentem suas próprias conclusões e reflexões.
  2. Em uma atividade de escrita criativa, a rubrica pode permitir o uso da tecnologia para gerar ideias e rascunhos, mas que o texto final seja original e reflita a voz do aluno.
  3. Em um debate, a rubrica pode incentivar o uso da tecnologia para pesquisar informações e argumentos, mas que os alunos apresentem suas próprias opiniões e contra-argumentos.
Quem acompanha o blog eprofessor há tempos, sabe que a gente acredita que a tecnologia não deve substituir o papel do educador, mas sim complementá-lo. Isso nas tecnologias convencionais e emergentes, certo? Ao utilizarmos rubricas como a AIAS, podemos garantir que a tecnologia seja usada de forma ética e eficaz, potencializando o aprendizado e preparando os alunos para os desafios do futuro. Neste cenário, o professor atua como um mediador, orientando os alunos no uso da tecnologia e incentivando o desenvolvimento de habilidades essenciais, como pensamento crítico, criatividade e colaboração. E isso a IA não vai fazer, não é mesmo?

Mão na massa em IA com Leon Furze - Hands On com Gen IA

Até parece overposting, mas não tem jeito: a gente continua a falar de IA, principalmente na Educação! Já sabemos que a inteligência artificial (IA) está mexendo de forma significativa com professores, alunos, gestores, aprendizagem... aliás, nada diferente de outras tecnologias emergentes, não é mesmo? Mas entre todas as tecnologias que já apareceram por aí, as IAs tem se diferenciado no que se refere as potentes ferramentas para personalizar o aprendizado, otimizar o tempo dos professores e engajar os alunos de maneiras inovadoras. 

Mas.... é notório que muitos educadores ainda se sentem inseguros sobre como integrar essas tecnologias em suas práticas pedagógicas. Com tantas opções disponíveis — desde chatbots como o ChatGPT, Gemini, DeepSeek, entre outros, até plataformas de criação de conteúdo e análise de dados —, saber por onde começar pode ser um desafio.

Pensando nisso, vou indicar um site incrível que serve como um guia completo para professores que desejam explorar o potencial da IA em sala de aula, seja para referências, práticas ou reflexão. Neste site,  você vai ter contato com os diferentes tipos de IA disponíveis e também dicas práticas, exemplos de uso e orientações sobre como usar essas ferramentas, avaliações e muita coisa boa para estudar e pensar sobre IA atualmente.

O site é do Leon Furze consultor, autor e palestrante internacional com mais de quinze anos de experiência em educação secundária e superior e liderança. Leon está cursando seu doutorado nas implicações da Inteligência Artificial Generativa na instrução e educação da escrita.

Ele apresentou uma coleção que inclui práticas, com exemplos claros e amigáveis de ferramentas e tecnologias específicas, incluindo geração de texto, áudio e imagem.

Para acessar a coleção, clique AQUI!

Se você é um educador curioso sobre como a IA pode transformar sua prática ou está em busca de maneiras eficazes de incorporar tecnologia em suas aulas, siga Leon Furze, assinando sua newsletter. 


Tendências em IA na Educação para os próximos 5 anos!


Imagine um ensino personalizado para cada aluno, que se adapta às suas necessidades e ritmo de aprendizado. Imagine professores com mais tempo para se dedicarem ao que realmente importa: inspirar e guiar seus alunos. E imagine alunos preparados para o futuro, dominando as habilidades essenciais para o sucesso em um mundo cada vez mais tecnológico.

Parece um sonho, né? Mas, e se eu te contar que a Inteligência Artificial pode nos ajudar a tornar essa realidade mais próxima, você acreditaria?

Neste e-book exclusivo, do meu querido amigo educador Doug Alvoraçado (com um currículo invejável)e trabalho lindo de se ver) você vai descobrir como a IA pode ajudar a transformar a educação, com insights valiosos de quem já está aplicando essa tecnologia na prática há muito tempo!

Prepare-se para explorar:
  • Personalização do ensino: como a IA pode adaptar o aprendizado às necessidades individuais de cada aluno.
  • Otimização do trabalho docente: como a IA pode automatizar tarefas repetitivas e liberar tempo para os professores se concentrarem no que realmente importa.
  • Promoção da inclusão: como a IA pode criar soluções para atender às necessidades de alunos com diferentes estilos de aprendizagem e habilidades.
  • Desenvolvimento de competências para o futuro: como preparar os alunos para o mundo do trabalho e da cidadania em uma era de avanços tecnológicos constantes.
E o melhor: o e-book é totalmente gratuito! Basta acessar ESTE LINK e fazer o download agora mesmo. Ah, e não deixe de dar uma espiada no LinkedIn do Doug, tá?

Estruturas de Competência sobre IA para Professores e Estudantes (Síntese do documento UNESCO)

Tempo é ouro, especialmente para professores! Sabemos que sua rotina é corrida e nem sempre sobra tempo para se atualizar sobre as últimas tendências na educação. Pensando nisso, o eprofessor preparou este post para te ajudar a dominar as competências essenciais em Inteligência Artificial, uma síntese do documento completo da UNESCO, publicado aqui anteriormente.

Aqui você encontra duas tabelas que resumem as principais competências em IA para estudantes e professores. Com elas, você poderá:

  • Compreender o papel da IA na educação e seu impacto no futuro da aprendizagem.
  • Identificar as habilidades e conhecimentos necessários para usar a IA de forma ética e responsável.
  • Preparar seus alunos para o mundo cada vez mais tecnológico e orientado por IA.

Pronto para turbinar suas aulas com a Inteligência Artificial? Então, vamos às tabelas!

1) Esta tabela contém a estrutura de competências em IA para estudantes, organizada pelos três níveis de progressão (Compreender, Aplicar e Criar) e os quatro domínios interdisciplinares (Mentalidade centrada no ser humano, Ética da IA, Técnicas e aplicações de IA e Design de sistemas de IA), incluindo especificações curriculares, métodos pedagógicos e ambientes de aprendizagem contida no documento UNESCO - Estrutura de Competência de IA para Estudantes. A estrutura de competências apresentada visa preparar os alunos para serem cidadãos responsáveis e criativos na era da inteligência artificial. As competências apresentadas estão divididas em três níveis de progressão: Compreender, Aplicar e Criar e visam desenvolver uma mentalidade centrada no ser humano, ética, e competências técnicas para design de sistemas de IA. A estrutura enfatiza o julgamento crítico e a resolução de problemas.

Tabela: Estrutura de Competências de IA para Estudantes

Domínio Interdisciplinar

Nível de Progressão

Especificações Curriculares

Métodos Pedagógicos Sugeridos

Ambientes de Aprendizagem

Mentalidade centrada no ser humano

Compreender

Compreender como os sistemas de IA impactam a interação humano-humano e humano-sociedade. Entender as implicações do design da IA, como proteger a agência humana e o que significa a IA para o desenvolvimento intelectual.

Visualizar o conceito abstrato de agência humana ao longo do ciclo de vida da IA. Simular um debate sobre controle humano sobre sistemas de IA. Incentivar o pensamento crítico sobre a relação dinâmica entre humanos e máquinas.

Ambientes de aprendizagem com objetos como jogos, materiais de leitura, ferramentas de IA, dispositivos conectados e celulares. Ambientes pré-baseados, e cenários que apresentem dilemas.

Aplicar

Reconhecer que os humanos têm responsabilidades legais como criadores e utilizadores de IA. Compreender que as decisões da IA devem ser tomadas com responsabilidade humana.

Escrever diretrizes sobre a responsabilidade humana dos criadores de IA. Incentivar o debate sobre as responsabilidades dos humanos em relação aos sistemas de IA, orientar sobre a ética e as implicações do design e uso da IA.

Configurações desconectadas e/ou conectadas, estudos de caso, plataformas de IA e cenários do mundo real.

Criar

Desenvolver uma consciência do impacto da IA nas vidas e sociedades, incluindo grupos étnicos e pessoas com deficiências. Espera-se que os alunos sejam capazes de reforçar a sua autoconsciência e usar a IA para dar suporte a sua auto realização.

Incentivar o desenvolvimento da responsabilidade social, com debates sobre como as sociedades devem ser adaptadas para responder aos desafios. Investigação de responsabilidades sociais pessoais e de grupos.

Testes incluindo smartphones e ambientes de tutoria interativos.

Ética da IA

Compreender

Entender como os julgamentos de valor estão refletidos na IA. Compreender a importância do impacto da IA nos direitos humanos. Espera-se que os alunos compreendam a importância dos princípios éticos.

Realizar discussões sobre as implicações éticas da IA, incluindo a privacidade e a proporcionalidade. Desenvolver a capacidade de detetar preconceitos. Incentivar a reflexão sobre o impacto da IA no meio ambiente.

Ambientes de aprendizagem com materiais sobre ética, estudos de casos, ou vídeos. Ferramentas de IA e dispositivos como aplicações para celulares.

Aplicar

Demonstrar um entendimento sobre a importância de seguir princípios éticos e regulamentações. Compreender os riscos de divulgação da privacidade dos dados.

Projetar um "kit de ética" para o uso da IA. Orientar os alunos sobre como utilizar dados pessoais de forma responsável, e aplicar a legislação existente. Simulação de cenários.

Configurações e recursos de aprendizagem, incluindo planos, políticas e listas de verificação de princípios éticos. Ferramentas de IA, incluindo aplicativos para smartphones.

Criar

Desenvolver habilidades para aplicar princípios éticos. Desenvolver a capacidade de avaliar a ética no design da IA. Espera-se que os alunos assumam uma abordagem de design para a avaliação e adaptação de regulamentações de IA.

Simular um debate sobre dilemas éticos baseados em projetos, com a elaboração de uma lista de critérios éticos. Desenvolver princípios éticos para IA e avaliar a conformidade com regulamentações existentes.

Configurações desconectadas e/ou conectadas. Ambientes online, ferramentas de IA. Recursos e materiais sobre ética em IA.

Técnicas e aplicações de IA

Compreender

Entender os conceitos de IA, como algoritmos e dados. Espera-se que os alunos sejam capazes de desenvolver conhecimentos sobre a importância do conhecimento interdisciplinar.

Aprender a definição e o escopo da IA. Examinar exemplos de como a IA é treinada com dados e algoritmos. Promover uma base interdisciplinar.

Configurações desconectadas e conectadas. Dispositivos como computadores e smartphones. Materiais didáticos e ferramentas de IA. Ambientes online e offline.

Aplicar

Desenvolver habilidades de programação e de aplicação da IA. Espera-se que os alunos sejam capazes de construir uma estrutura básica de IA.

Oferecer oportunidades para fortalecer o conhecimento e as habilidades em IA. Utilizar laboratórios de análise de dados. Incentivar o desenvolvimento de habilidades em programação e a criação de aplicações de IA.

Laboratório de visões de dados com exemplos de conjuntos de dados. Computadores com acesso à internet e aplicações baseadas em IA.

Criar

Aprofundar o conhecimento em dados e algoritmos. Espera-se que os alunos sejam capazes de criar ferramentas de IA baseadas em tarefas.

Oferecer oportunidades para o desenvolvimento de ferramentas de IA, com foco na personalização, na criatividade, e em abordagens colaborativas.

Ferramentas de IA, conjuntos de dados, recursos de computação e bibliotecas de código aberto. Ambientes de trabalho colaborativo e hackathons.

Design de sistemas de IA


Compreender

Definir o escopo de um problema. Espera-se que os alunos entendam a importância do "escopo do problema da IA".

Analisar criticamente situações da vida real onde a IA pode ou não pode ser usada. Ajudar os alunos a definir as etapas para criar ou selecionar um sistema de IA. Simular a revisão de uma proposta.

Dispositivos digitais com conexão à internet. Sistemas de IA e diagramas.

Aplicar

Desenvolver um projeto de arquitetura. Espera-se que os alunos sejam capazes de desenvolver habilidades para avaliar a necessidade de dados.

Simular a avaliação de componentes para configuração. Ajudar a preparar a aquisição de dados e a sua avaliação para modelos de IA. Simular o desenvolvimento e o controle de um sistema de IA.

Ambientes para projetos e análises de dados baseados em computador, aplicações para IA, e ferramentas de programação.

Criar

Aprender a otimizar ciclos de feedback. Espera-se que os alunos sejam capazes de aprimorar e aplicar os seus conhecimentos.

Simular a tomada de decisão de um sistema de IA, incentivando a análise de dados e a sua interpretação. Promover a autonomia dos alunos, através de projetos colaborativos com foco no feedback e iterações.

Recursos de computação, ambientes colaborativos online, e ferramentas de IA.


2) A tabela elaborada com base no documento elaborado pela UNESCO - Estrutura de Competências de IA para Professores - , organizada pelos três níveis de progressão de competências (Adquirir, Aprofundar, Criar), com exemplos e objetivos específicos para cada nível e os cinco aspectos principais da estrutura de competências de IA para professores. A tabela também inclui informação sobre políticas facilitadoras, ferramentas de avaliação contextualizadas e a importância de uma abordagem inclusiva e centrada no ser humano no desenvolvimento e uso da IA na educação, conforme solicitado.

Tabela: Estrutura de Competências de IA para Professores

Competência

Nível de Progressão

Objetivos Específicos

Exemplos/Atividades

Mentalidade centrada no ser humano

Adquirir

Refletir criticamente sobre o impacto da IA nos direitos humanos. Entender como as decisões tomadas por humanos podem afetar a autonomia e as vidas de outros.

Analisar a importância da agência humana ao avaliar e usar ferramentas de IA. Desenvolver a consciência de que as decisões dos criadores da IA podem ter impacto nas pessoas e na sociedade.

Aprofundar

Compreender a responsabilidade humana ao usar IA, garantindo o respeito pelos direitos humanos. Analisar criticamente as decisões de design da IA e como estas impactam o uso ético. Demonstrar uma compreensão aprofundada do impacto da IA.

Participar em cenários onde os professores demonstram como a IA é usada de forma inclusiva. Internalizar a importância da privacidade, propriedade intelectual, e outras disposições legais.

Criar

Promover uma compreensão crítica da influência da IA na sociedade, abordando o individualismo e a importância da inclusão social. Defender a ética da IA por meio de ações que abordem questões éticas, sociais, e ambientais.

Incentivar a criação de comunidades para explorar o impacto da IA. Avaliar criticamente o impacto da IA em diversos domínios para promover um uso responsável e inclusivo. Participar ativamente para a construção de sociedades mais justas e equitativas.

Ética da IA

Adquirir

Compreender princípios éticos básicos da IA. Identificar e mitigar riscos associados ao uso de IA.

Explicar os princípios éticos da IA aos alunos. Usar ferramentas de IA que respeitem os direitos humanos e a dignidade. Analisar como os sistemas de IA podem reproduzir vieses.

Aprofundar

Analisar a segurança e privacidade dos dados. Promover o uso responsável de IA em contextos educacionais.

Utilizar ferramentas de IA que garantam segurança e privacidade de dados. Analisar situações onde a IA possa causar discriminação. Adotar uma perspetiva ética sobre o uso da IA.

Criar

Analisar criticamente o impacto da IA. Desenvolver ferramentas de IA que promovam o bem-estar e que respeitem a diversidade cultural, institucional e individual.

Desenvolver planos de aula e programas que considerem as implicações éticas da IA. Promover discussões entre alunos sobre os impactos éticos da IA.

Fundamentos e aplicações da IA

Adquirir

Compreender conceitos básicos de IA, como modelos e algoritmos. Aplicar ferramentas de IA para melhorar o processo de ensino e aprendizagem.

Explorar diferentes categorias de ferramentas de IA. Aprender a usar ferramentas de IA para tarefas específicas. Identificar o potencial de ferramentas de IA.

Aprofundar

Avaliar a adequação das ferramentas de IA para contextos educacionais. Aplicar ferramentas de IA para melhorar o processo de ensino e aprendizagem.

Experimentar com diferentes ferramentas de IA para avaliar sua eficácia. Adaptar ferramentas de IA para diversas situações de aprendizagem.

Criar

Desenvolver ferramentas de IA personalizadas para atender às necessidades dos alunos. Avaliar a adaptabilidade da IA e sua capacidade para resolver problemas complexos.

Criar ferramentas de IA para melhorar o processo de ensino e aprendizagem. Utilizar ferramentas de IA para atender às necessidades individuais dos alunos.

Pedagogia da IA

Adquirir

Utilizar ferramentas de IA para apoiar a aprendizagem.

Projetar e implementar atividades de aprendizagem assistidas por IA. Avaliar o impacto de ferramentas de IA na aprendizagem.

Aprofundar

Integrar ferramentas de IA em contextos de aprendizagem. Usar IA para dar suporte a necessidades específicas de alunos.

Usar ferramentas de IA para personalizar o ensino e aprendizagem. Avaliar o impacto da IA na aprendizagem dos alunos.

Criar

Criar ambientes de aprendizagem inclusivos, usando a IA para abordar desafios mais amplos. Avaliar criticamente o impacto da IA no ensino, na aprendizagem e na avaliação.

Transformar metodologias pedagógicas usando IA. Personalizar ou modificar ferramentas de IA para enriquecer os ambientes de aprendizagem.

IA para o desenvolvimento profissional




Adquirir

Utilizar IA para o desenvolvimento profissional. Conhecer as oportunidades de desenvolvimento profissional com a IA.

Participar em atividades de formação sobre IA. Explorar ferramentas de IA para o desenvolvimento profissional.

Aprofundar

Utilizar IA para melhorar as práticas de ensino. Explorar como a IA pode apoiar a colaboração profissional.

Refletir sobre como a IA pode apoiar a melhoria do desempenho profissional. Participar de comunidades profissionais para troca de experiências com a IA.

Criar

Utilizar IA para transformar o desenvolvimento profissional. Apoiar outros professores no desenvolvimento profissional com a IA.

Mentorear outros professores no uso da IA para o desenvolvimento profissional. Criar workshops sobre IA para professores.


Políticas Facilitadoras e Ferramentas de Avaliação

Políticas Facilitadoras: As políticas devem incluir a regulamentação do uso da IA na educação, garantindo que seja usada de forma ética e equitativa. Devem também apoiar a formação de professores no uso da IA e garantir acesso equitativo a ferramentas e recursos.

Ferramentas de Avaliação Contextualizadas: As ferramentas de avaliação devem ser adaptadas para medir as competências dos professores em relação à IA, considerando os diferentes níveis de progressão e os cinco aspetos principais. É importante usar métodos de avaliação que sejam relevantes para o domínio e as necessidades específicas dos professores. A avaliação também deve ser adaptada aos diferentes contextos educacionais.

Abordagem Inclusiva e Centrada no Ser Humano

É crucial que o desenvolvimento e o uso da IA na educação sejam centrados no ser humano, priorizando a ética, a equidade, a inclusão e o respeito pela diversidade. As ferramentas de IA devem ser projetadas para promover a agência humana, o pensamento crítico e as habilidades socioemocionais dos alunos.

A implementação da IA deve ser guiada pelos seguintes princípios:
  • Garantir futuros digitais inclusivos: Assegurar o acesso equitativo e inclusivo às ferramentas de IA.
  • Abordagem centrada no ser humano: Garantir que a IA não substitua a responsabilidade humana.
  • Proteção dos direitos dos professores: Assegurar que a IA não comprometa os direitos dos professores.
  • Promover IA confiável e ambientalmente sustentável: Usar IA que seja confiável e que não prejudique o meio ambiente.
  • Garantir a aplicabilidade para todos os professores e refletir a evolução digital: Certificar que a IA seja útil para todos os professores e que se adapte às mudanças digitais.
  • Aprendizagem profissional ao longo da vida para professores: Incentivar que os professores continuem aprendendo e se desenvolvendo profissionalmente.
A estrutura de competências de IA para professores visa orientar o desenvolvimento de habilidades para uso ético e eficaz da IA na educação. A tabela apresentada oferece uma visão geral das competências necessárias em cada nível de progressão, juntamente com exemplos práticos e considerações sobre políticas facilitadoras e avaliação. A priorização de uma abordagem inclusiva e centrada no ser humano é essencial para garantir que a IA seja uma força positiva na educação.
Este texto utilizou o NOTEBOOK LM para a primeira versão de síntese do documento original e foi revisado pela equipe editorial do eprofessor.